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A volta da censura O juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto, do 9 Juizado Especial Criminal do Rio, proibiu os jornais O Globo, Jornal do Brasil, Extra e O Dia e as emissoras de TV Globo, Bandeirantes, Record, Rede TV!, CNT e Brasil (ex-TVE) de veicular imagens e até publicar os nomes de três universitários que,em novembro, agrediram um grupo de prostitutas e travestis num ponto de ônibus, na Barra da Tijuca. Recapitulando: Fernando Mattos Roiz Junior, de 19 anos, e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro, de 21, e um amigo menor de idade (portanto, com anonimato já assegurando por lei) acharam por bem despejar fumaça de extintor de incêndio sobre prostitutas e travestis que faziam ponto na avenida Lúcio Costa. Flagrados, eles foram detidos pela polícia. O caso ganhou ainda mais repercussão quando o pai de um dos criminosos, Fernando Mattos Ruis, afirmou, em entrevistas gravadas, que os adolescentes “não fizeram nada demais. Tem gente que faz coisa pior. Foi apenas uma bricandeira de criança. Qualquer um já passou por isso quando adolescente”. Pelo preconceito de classe, o episódio lembrou a agresão sofrida sofrida pela doméstica Sirlei Dias, espancada por cinco jovens de classe média também na Barra da Tijuca. Eles justificaram a agressão dizendo ter confundido a doméstica com uma prostituta.
Condenados a trabalhos comunitários, Fernando Mattos Roiz Junior, 19, e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro, 21, foram fotografados trabalhando como garis. A imagem que ganhou a capa dos jornais como um bom exemplo de punição à criminalidade juvenil. O Sindicato dos Funcionários de Limpeza do Rio reclamou por considerar que os criminosos rebaixavam a nobre profissão dos lixeiros. Em sua sentença, o juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto tenta ensinar aos jornalistas o que é e o que não é notícia. “Pouco interessa a origem ou classe social dos envolvidos, ou a profissão ou o gênero a que pertence a vítima: para ser isenta, a matéria deveria relatar um conflito entre dois jovens recém entrados na vida adulta (e, por isso, penalmente responsáveis ) e um outro ser humano (pouco importa se homem ou mulher) que foi agredido”, escreveu em sua sentença. Os órgãos de imprensa entraram com o recurso. Só para lembrar: a censura acabou em 1985 e a Constituição brasileira garante a liberdade de expressão.
As dez mais de 10 de janeiro 1.Censura - Seis emissoras de TV e os quatro principais jornais do Rio estão proibidos pela Justiça de veicular imagens e até os nomes de três universitários que, em novembro, agrediram um grupo de prostitutas num ponto de ônibus na Barra da Tijuca, informa O Globo. Como essa newsletter não está arrolada no processo, aí vão o nome dos envolvidos: Fernando Mattos Roiz Junior, 19, e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro, 21. O pai de Fernando, que também se chama Fernando, disse na ocasião que a agressão “foi apenas uma bricadeira de crianças. Qualquer um já passou por isso quando adolescente”.
2.Censura - O TRF da 4ª Região proibiu o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), de usar a TV Educativa (estatal) para promoção pessoal ou ataques a adversários, a instituições públicas ou à imprensa. O sentença afirma que a programação da TV “ transborda, escancaradamente, os limites da função educativa”. Requião disse que o AI-5 voltou ao Paraná, informa O Globo.
3.Negócios - Os controladores da Oi (ex-Telemar) acertaram o preço de compra da Brasil Telecom (BrT) por R$ 4,8 bilhões, segundo a manchete de hoje da Folha. Para a fusão ir em frente será necessária mudança nas regras da Agência Nacional de telecomunicações. O governo Lula apóia o negócio.
4.Energia - O Ministério de Minas e Energia não considera alarmante a situação nos reservatórios das hidrelétricas e descarta racionamento em 2008 e 2009. “A situação é bastante confortável no Sudeste, não tem sinal de alerta. Não estamos em situação de emergência”, disse o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. A posição contraria o alerta dado na terça-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Ao Globo, o provável futuro ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse que a responsabilidade por “eventual colapso energético” será da gestão anterior.
5.Saúde - O empresário Almir Rodrigues da Cunha, de Maringá, é o terceiro brasileiro a morrer com febre amarela este mês. Ele passou o réveillon com a família em Caldas Novas, cidade turística de Goiás. Na volta, foi internado com febre de mais de 39 graus. Apesar deste novo caso, e das longas filas nos postos de vacinação em todo o país, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que a situação está sob controle, e que não há risco de epidemia. Já há falta de vacinas no Distrito Federal e no Rio, informam o Correio Braziliense e O Globo. O Estado revela que pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, em Recife, conseguiram aprimorar, em laboratório, a vacina contra a febre amarela. Mas ainda não há garantia de financiamento para a continuidade do estudo.
6.Economia dos EUA - Em claro sinal da dimensão da crise americana, o The Wall Street Journal revela que o Citigroup e a Merril Linch estão buscando investidores estrangeiros para cobrir seus rombos com os créditos imobiliários. O alvo preferencial são os fundos soberanos do sudeste Asiático e do Oriente Médio. A Merril espera convencer os investidores a comprarem até US$ 4 bilhões de suas ações. No Citi, a esperança é arrancar U$ 10 bilhões (incluindo aí o que receber com a venda Brasil Telecom).
7.Eleições dos EUA - O The New York Times explica que o voto feminino foi decisivo para a vitória da senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton nas prévias de New Hampshire, anteontem. Os institutos de pesquisas justificam o fracasso de suas previsões de derrota de Hillary pelos critérios de votação, que permitiam aos eleitores independentes escolher em qual prévia votar.
8.Chile – Depois de perder a maioria no Congresso, a presidente do Chile, a socialista Michelle Bachelet, trocou seis ministros, numa operação que foi batizada de “segundo tempo” do seu governo, informa o diário El Mercúrio. A nova configuração aumenta o poder dos Democratas Cristãos na coalizão que governa o país desde o fim da ditadura Pinochet.
9.Violência - O ministro da Justiça, Tarso Genro, teve R$ 5,7 mil roubados de seu escritório de advocacia, em Porto Alegre, no fim do ano. No mesmo período e também na capital gaúcha, a casa do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, foi invadida por um ladrão que levou vários eletrodomésticos. Testemunhas identificaram o ladrão, mas a Polícia informou ao ministro que não tem pessoal para ir prendê-lo, informa Gustavo Krieger, do Correio. 10.Os números do dia:
Bolsas As bolsas asiáticas tiveram perdas puxadas por uma mais uma previsão de recessão nos EUA (dessa vez da Goldman Sachs) e da queda das ações da mineradora BHP. No Brasil, o destaque são as negociações da Oi com a Brasil Telecom e a recomposição dos papéis da Petrobras
Bovespa (ontem) – alta de 0,96% Dow Jones (ontem) – alta de 1,16% Nasdaq (ontem) – alta de 1,39% Xangai (hoje) – alta de 0,38% Shenzhen (hoje) – alta de 1,84% Hong Kong (hoje) – baixa de 1,39% Tóquio (hoje) – queda de 1,45% Seul (hoje) – queda de 1,07%
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