As projeções do Instituto Aço Brasil (IABr) apontam que a importação e o consumo aparente de aço no país atingirão níveis recordes em 2010. De acordo com os dados apresentados hoje, as importações de aço fecharão o ano em 4,150 milhões de toneladas, 78% acima dos 2,332 milhões de toneladas importadas no ano passado e 56,25% superiores ao recorde anterior, de 2,656 milhões de toneladas em 2008. Para o presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, o crescimento das importações reflete fatores como a apreciação do real, o aquecimento da demanda no país e a sobreoferta de cerca de 600 mil toneladas no mercado internacional contribuem para o aumento das compras de aço produzido fora do Brasil. A previsão feita agora supera inclusive a estimativa de 2,8 milhões feita em abril. "Esses dados só ratificam que não precisamos ter artificialismos como alíquota de importação zerada", ressaltou Lopes, lembrando que entre 2005 e 2008 houve a suspensão das alíquotas de importação de aço e, mesmo assim, os níveis atuais de importação do produto são maiores. Lopes ressaltou que o aumento das importações tem uma fatia "especulativa", uma vez que os reajustes do minério de ferro e a sobreoferta de aço no mercado internacional levaram distribuidores a importar aço apostando em um aumento dos preços da produção nacional. Segundo ele, distribuidores se aproveitam do mercado deprimido no exterior para apropriar margens da venda no Brasil. "Muita gente trouxe material achando que teria alta substantiva do aço, o que não ocorreu e agora estão empanturrados de aço, que nem jiboias", disse Lopes. Outra previsão recorde feita pelo IABr foi para o consumo aparente, que deverá atingir 24,980 milhões de toneladas este ano, 34,5% acima das 18,576 milhões de toneladas do ano passado. Em abril, a projeção para o consumo aparente havia ficado em 23,1 milhões de toneladas. O Instituto estima ainda em 33,161 milhões de toneladas a produção nacional de aço bruto em 2010, uma volta aos níveis de 2008, quando foram produzidas 33,716 milhões de toneladas e volume 25,1% acima das 26,506 milhões de toneladas do ano passado. A produção de julho não se alterou em relação à estimativa de abril. As vendas internas de aço deverão fechar o ano em 21,1 milhões de toneladas, 29,1% acima das 16,345 milhões de toneladas vendidas em 2009. Em abril, a previsão do IABr ficara em 20,4 milhões de toneladas. Em relação às exportações, o IABr prevê a venda de 11 milhões de toneladas de aço este ano, 27,4% a mais que as 8,633 milhões de toneladas do ano passado.
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